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VANTAGEM DESCOBERTA

Operação Mandrake desarticula esquema criminoso em Xaxim

Proprietários e funcionários de autoescolas locais prestaram depoimento
Por: Janquieli Ceruti
05/10/2016 17:41
Fernando Callfass destacou que há possibilidade de que centenas de motoristas foram beneficiados (Fotos: Janquieli Ceruti) Fernando Callfass destacou que há possibilidade de que centenas de motoristas foram beneficiados (Fotos: Janquieli Ceruti)

Entrar com recursos fantasmas, que nunca foram protocolados, junto ao Detran de Florianópolis em troca de quantias em dinheiro era a especialidade de alguns dos xaxinenses levados à Delegacia de Polícia Civil de Xaxim na manhã de ontem (05). Além desses, que são proprietários, funcionários de autoescolas do município ou ex-diretor do Departamento de Trânsito de Xaxim, a Operação Mandrake, como foi batizada, cumpriu um mandado de prisão e cinco mandados de condução coercitiva em Florianópolis, frente a suspeita de que funcionários do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/SC) facilitavam o esquema criminoso, que pode ter beneficiado centenas de motoristas e dezenas de facilitadores em todo o Estado.

INVESTIGAÇÃO MINUCIOSA

Uma denúncia feita ao Ministério Público, que foi repassada pelo promotor de Justiça da 2ª PJ da Comarca de Xaxim, Diego Barbeiro, à Polícia Civil de Xaxim, desencadeou a investigação, que começou há cerca de três meses. Para que a Operação Mandrake obtivesse êxito, cerca de 40 policiais de toda a região, incluindo toda a equipe de Xaxim, policiais de Ponte Serrada, de Abelardo Luz e da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de São Lourenço do Oeste, estiveram em Xaxim, onde a investigação iniciou. Além desses, policiais colaboraram com a ação em Saudades e a Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) deu suporte em Florianópolis. “A investigação começou em Xaxim e se alastrou para diversos municípios da região. Ela começou no município e estendeu a Florianópolis, Saudades, Campo Erê e Quilombo através de núcleos de trabalho”, destacou o delegado de Xaxim, Fernando Callfass.

OS MILAGREIROS

De acordo com o delegado, Xaxim era o coração da operação, que buscava desvendar fraudes na inserção e nos recursos fantasmas de multas de trânsito junto ao Detran. “Todas as multas de trânsito são passíveis de recurso, pois podem ter equívocos em seu preenchimento. Mas era justamente nesse ponto que os investigados se favoreciam. Pessoas com acesso ao sistema do Detran inseriam informações inverídicas em benefício de outras pessoas e também de si próprios”. Conforme Callfass, o grupo era conhecido em diversas cidades por resolver “o problema”.

Em troca de quantias em dinheiro, eles inseriam recursos fantasmas, que nunca chegavam para julgamento. Esses recursos eram chamados por eles mesmos como mandrake, por isso do nome da Operação. “Com os mandrakes, eles evitavam o pagamento de multas e outras questões administrativas, a exemplo da suspenção do direito de dirigir ou dos famosos pontos na CNH”. Com isso, ainda segundo a investigação, é provável que o Estado tenha sido lesado com o não recolhimento dessas quantias, mas não há precisão ainda em quanto dinheiro deixou de entrar nos cofres públicos.

Callfass fez questão de destacar que não é ilegal contar com o apoio de outra pessoa para protocolar o recurso por escrito. Mas, envolvidos cobravam pelo serviço e não honravam com o combinado. “Muitos recursos foram protocolados e nunca chegaram para julgamento, o que reforça muito a suspeita de que eles nunca existiram, só existiam no sistema, justamente para evitar as punições”.

AÇÃO DA POLÍCIA

Era 6h50 da manhã ensolarada de ontem (05), quando o LÊ NOTÍCIAS chegou à Delegacia de Xaxim. Na rua Cândido Teston, quase uma dezena de viaturas estavam preparadas para dar início à Operação Mandrake. Segundos depois, os policiais saíram em carreata e se dividiram por diferentes cantos da cidade. Em cada residência, dois policiais tocavam campainhas e interfones e, pouco depois, conduziam cada um dos investigados até a Delegacia. Toda a ação, que foi acompanhada com exclusividade por nossos repórteres, durou cerca de uma hora, pois, além das conduções coercitivas e dos mandados de prisão – que levaram cerca de 20 minutos, documentos foram recolhidos num dos departamentos públicos, localizado em frente à Prefeitura de Xaxim.

Um a um, proprietários, funcionários e ex-diretor do Departamento de Trânsito de Xaxim foram sendo levados até a Delegacia, sem qualquer resistência. No total, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e cinco mandados de condução coercitiva no município, onde envolvidos na investigação foram conduzidos à Delegacia para prestar depoimento. Além de Xaxim e Florianópolis, um mandado de prisão preventiva também foi cumprido em Saudades.

MOTORISTAS BENEFICIADOS

A partir de agora, motoristas beneficiados com o esquema também serão investigados. Conforme Callfass, muitos podem ter buscado a ajuda com boa fé e foram enganados, mas outros podem ter tido conhecimento de que se tratava de atos criminosos que, também conforme ele, acontecem há bastante tempo. “Foram centenas. Chamou a atenção a grande quantidade de recursos protocolados em Florianópolis e que são provenientes de situações que envolvem pessoas da região”.

PRÓXIMOS PASSOS

Os detidos em Xaxim na manhã de ontem (05) foram conduzidos ao Presídio Regional de Xanxerê, onde devem permanecer até o fim da investigação. “Precisamos encerrá-la em 10 dias, mas esperamos concluir até essa sexta-feira, para então encaminhar ao Ministério Público para que outros órgãos façam uma investigação minuciosa em todo o Estado. Quanto às possíveis punições, vai depender da quantidade de crimes que cada um participou”, conclui o delegado.

Barbiero, que recebeu e encaminhou a denúncia, expôs ao que, por estar em férias, não falaria sobre a Operação. Porém enfatizou que ela “é fruto da atuação conjunta e articulada do Ministério Público e da Polícia Civil de Xaxim que, mesmo diante das conhecidas condições de deficiência de pessoal, seguem firme na defesa dos interesses da sociedade".


*Nomes não serão divulgados pelo LÊ NOTÍCIAS até a conclusão da investigação e inquérito policial com os devidos indiciamentos.



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