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Entrevista | Reeleição em Jaraguá do Sul projeta Antídio Lunelli para ser nome do MDB em 2022

Por: Marcos Schettini
06/07/2020 16:44 - Atualizado em 06/07/2020 16:45
Arquivo/Lê Notícias

Homem bem-sucedido na iniciativa privada, Antídio Lunelli disputou as eleições em 2016 declarando à Justiça Eleitoral um patrimônio de aproximadamente R$ 280 milhões. Eleito prefeito de Jaraguá do Sul, imprimiu seu ritmo de trabalho no setor público e tem apresentado um leque de obras, serviços e planejamentos que consagram seu perfil de gestor e técnico, mesmo sob pandemia do coronavírus.

Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Marcos Schettini, Antídio faz uma importante leitura da conjuntura nacional, apontando erros e acertos do Governo Federal, inclusive realizando uma retrospectiva dos governos do PT para buscar entender melhor a situação real do Brasil.

Observando o contexto político em Santa Catarina, pediu explicações da compra dos respiradores pelo Governo do Estado por R$ 33 milhões. “É uma pena que Santa Catarina, um Estado rico como este, tenha que passar por esta situação”, lamentou Antídio.

Sobre eleições, o prefeito de Jaraguá do Sul apresentou inúmeros argumentos que lhe credenciam como favorito em novembro, projetando seu trabalho para ser nome do MDB ao Governo do Estado em 2022. “Este assunto não saiu lá de Jaraguá do Sul, veio de fora. O MDB é um partido democrático, como o nome já diz e escolherá seu candidato no momento certo, pela vontade da maioria de seus filiados”, afirma. Confira:


Marcos Schettini: Como o Sr. vê Bolsonaro criando problemas nas relações com o legislativo e Judiciário?

Antídio Lunelli: Penso ser importante refletirmos como chegamos a este ponto e o momento em que a nação vive hoje. Passamos por muitas transformações econômicas na era PT, impulsionadas pelo ótimo momento da economia mundial durante o governo Lula, e logo no início já percebemos os rastros do mecanismo político atuando contra o que deveria ser o melhor momento do Brasil, era a hora de colocar a locomotiva nos trilhos. No lugar do cenário necessário da desburocratização e do estado moderno e leve, assistimos o aparelhamento da máquina pública, o inchaço das contas e dos cargos, a corrupção, os desvios, o projeto de poder e a sede insaciável do Partido dos Trabalhadores pela perpetuação na esfera federal.

Logo depois veio o governo decepcionante da Dilma, o fogo e a artilharia da grande mídia contra a classe política de um modo geral, colocando todos no mesmo balaio. A desfragmentação da imagem dos políticos, a queda do PT, a breve e resistente passagem do presidente Temer e a ascensão da chamada nova política, que culmina com a eleição do presidente Bolsonaro e dezenas de novas caras em todo o país. Bolsonaro entrega hoje para uma massa órfã e desacreditada a postura de não ceder para a máquina da “velha política”, não negocia com a Câmara, cria atritos com o poder Judiciário, tem grandes dificuldades na comunicação como chefe de Estado e ainda passa pelo pior cenário da saúde pública das últimas décadas, com a pandemia do Covid-19.

O Brasil vem sofrendo golpe atrás de golpe, o gigante está tonto, está desequilibrado. Na minha opinião, Bolsonaro erra não tendo o mínimo diálogo com os poderes, erra em não dar uma trégua para a imprensa e isso também vale para a imprensa. Meu partido é o MDB, mas antes de tudo sou um patriota, prefiro acreditar que alguma coisa deste governo vai dar certo, torço pelo nosso país hoje, assim como torci na época em que o Lula venceu as eleições, apesar de não ter votado nele. Vou continuar torcendo, concordando ou não com as ações do Governo Federal, da mesma forma como atuei como empresário, de forma otimista, sempre acreditando que vai dar certo.


Schettini: A Câmara e o Senado deram tudo o que o presidente tem pedido, mas ele afronta muito, por quê?

Antídio: Talvez este seja o estilo Bolsonaro de ser, não querer ser mais um em meio a tantos políticos. Certamente, ele vai colher os frutos disso tudo, sejam eles ruins ou bons. Penso que perdeu a oportunidade de conduzir as coisas com mais calma com o início da pandemia do coronavírus, falta unidade no país hoje.

Schettini: Como você vê o impeachment do governador Moisés e da vice Daniela Reinehr?

Antídio: Essa instabilidade na esfera federal e estadual é péssima para nós todos, estamos patinando na lama, o escândalo dos respiradores no Governo do Estado precisa sim ser investigado e explicado. Se cabe ou não impeachment, cabe à Justiça e à Assembleia Legislativa avaliar tudo com muita responsabilidade. É uma pena que Santa Catarina, um Estado rico como este, tenha que passar por esta situação.


Schettini: O MDB quer sua liderança majoritária estadual de 2022?

Antídio: Este assunto não saiu lá de Jaraguá do Sul, veio de fora. Um dia desses estava em Florianópolis e algumas pessoas comentaram isto, fiquei surpreso. Mas meu projeto é terminar as inúmeras obras que estamos entregando e ainda vamos entregar em Jaraguá, quando coloco algo na minha agenda é para riscar e cumprir o combinado, vou à reeleição para a prefeitura neste ano. Sobre 2022, de qualquer forma, vou participar e apoiar como sempre fiz, desde a época do Luiz Henrique. O MDB é um partido democrático, como o nome já diz e escolherá seu candidato no momento certo, pela vontade da maioria de seus filiados.


Schettini: Jaraguá do Sul é exemplo em quais áreas desta pandemia?

Antídio: Fomos o primeiro município do Brasil a fazer a desinfecção de áreas púbicas como praças, postos de saúde e muitos outros, lançamos o aplicativo “Covid Monitor” em parceria com a WEG, montamos um comitê de crise atuante, trabalhando para levar estrutura aos hospitais, ao pronto atendimento, levar informação à população. Temos hoje uma situação de controle em relação aos municípios vizinhos, como Blumenau e outros. Até o dia de hoje a ocupação de leitos de UTI está controlada, mas existe muita preocupação ainda, pois o relaxamento em relação aos cuidados com o distanciamento e regras de higiene, nem sempre são seguidas, além de recebermos pessoas internadas de outros municípios vizinhos, ou seja, em alguns dias tudo pode mudar e a crise se instala. Estamos trabalhando em estado de alerta máximo.


Schettini: Como você olha o mundo depois deste terror provocado pelo coronavírus?

Antídio: Já existiam alertas da comunidade científica em relação às grandes pandemias, o papel da OMS precisa ser maior daqui em diante, talvez um consórcio entre países com investimento em pesquisa e monitoramento. Iniciativas como a do empresário Bill Gates, da Microsoft, e sua atuação em soluções para a área da saúde precisam servir de exemplo para toda a classe empresarial do mundo. Levamos um tombo nunca presenciado por esta geração, temos que aprender algo, olhar para o lado humano além dos números, todos corremos risco de vida, desde reis e presidentes, até o cidadão simples de uma humilde comunidade.

Schettini: E a relação capital e trabalho?

Antídio: Acredito e aposto na livre iniciativa, no papel do governo prático e sem intervenções, com regras claras. Acredito na geração de riqueza através do setor produtivo, nos meios sustentáveis de crescimento econômico e na geração de empregos por meio destes. Todo o trabalho social, que é necessário em bolsões de pobreza e comunidades carentes, deve ter um olhar econômico por trás, uma nação forte é feita por pessoas trabalhadoras, com instrução, com condições de sustentar suas famílias. Um estado não pode apenas criar dependentes, este modelo é falido e já se mostrou ineficiente. Leve uma rodovia duplicada desde a BR-101 até São Miguel do Oeste e verá o desenvolvimento do entorno acontecer naturalmente, a máquina pública e privada se retroalimentam quando a política é séria e desenvolvimentista.


Schettini: O Pacto Federativo morreu?

Antídio: É papel do Governo Federal alimentar essa pauta, eles precisam criar um time que defenda a tese e possa trabalhar isto dentro da Câmara e do Senado, mas por ora não vejo ambiente para tal. Uma pena, o Brasil precisa de grandes mudanças administrativas, o governo Bolsonaro precisa agir nestes eixos.

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