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Entrevista | Santa Catarina vivencia catástrofes com espírito muito solidário, afirma Esperidião Amin

Por: Marcos Schettini
07/07/2020 10:36 - Atualizado em 07/07/2020 10:37
Isac Nóbrega/PR

Nome reconhecido pela lisura em mais de 50 anos de vida pública, Esperidião Amin tem uma história em sintonia com Santa Catarina. Aos 72 anos, o senador vivenciou inúmeros desafios liderando os catarinenses nos mais diversos cargos que já exerceu.

Quando governador nos anos 80, foi surpreendido pelas catástrofes de 1983 e 84, momentos estes nos quais milhares de pessoas ficaram desabrigadas, sendo necessário o permanente contado do Estado para auxiliar os atingidos pelas tragédias.

Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Marcos Schettini, Esperidião Amin é taxativo ao negar que Santa Catarina atraia catástrofes. “A vida nos faz viver catástrofes. E Santa Catarina vivencia catástrofes com espírito muito solidário”, reflete o senador.

Ainda, falou sobre a presença do presidente Jair Bolsonaro para sobrevoar áreas atingidas pelo ciclone bomba, além de se posicionar contra o possível impeachment do governador Carlos Moisés. Também falou de eleições em Florianópolis e sobre o futuro da humanidade após pandemia. Confira:


Marcos Schettini: O Sr. viveu dramas e dores nas enchentes de Blumenau. Por que SC atrai tantas catástrofes?

Esperidião Amin: Eu não digo que Santa Catarina atraia catástrofes. A vida nos faz viver catástrofes. E Santa Catarina vivencia catástrofes com espírito muito solidário. Nós todos vivenciamos essas tragédias com um espírito de quem realmente procura ser solidário. Então eu não aceito esta frase que nós atraímos, mas nós damos grandes exemplos para o Brasil quando enfrentamos catástrofes como as de 83 e 84, que talvez tenham sido as mais conhecidas. Agora que somos um povo valente, isso o Brasil sabe.


Schettini: O meio ambiente, violentamente destruído, não tem dado as respostas?

Amin: Sim. Eu sou muito impressionado pelo filme “Um dia depois de amanhã”. Acho que há uma mudança climática, mas também há uma população como nunca a Terra teve. Nós estamos com mais de 7 bilhões de pessoas sobre a Terra e o nosso modo de vida é muito dispendioso para o planeta. Nós estamos ficando mais ricos e usando mais o planeta, usando coisas que não voltam mais, como os recursos naturais.


Schettini: A presença de Jair Bolsonaro trouxe o quê de concreto para os atingidos?

Amin: A presença é um gesto. Política é feita de gesto. Se o presidente não viesse nós reclamaríamos. Agora, eu tentei pressionar os órgãos de Defesa Civil para anteciparem para esta segunda-feira (06) a coleta de todo o material. Eu queria uma data de corte, não para cortar o que vem depois, mas para termos um pedido completo. Eu reiterei ao presidente, uma Medida Provisória, não necessariamente para Santa Catarina, mas uma medida necessária que levasse em conta a demanda do nosso Estado que, infelizmente, é a maior.

De barco, o então governador Esperidião Amin em frente à Prefeitura de Blumenau nas enchentes de 1983 (Foto: Acervo)

Schettini: O governador Carlos Moisés não está perdendo a direção plena?

Amin: Não. Acho que está havendo um julgamento muito precipitado diante da forma que o governador enfrenta a crise. Ele enfrenta de uma maneira diferente da minha. Certamente não vai agradar a todos. Mas eu não posso dizer que ele está perdendo a direção plena.


Schettini: O impeachment traz uma saída para este descontrole?

Amin: Não. O impeachment é uma solução extrema e crítica que, longe de estabilizar, ele, em primeiro lugar, completa uma possível desestabilização. Eu não acho que o momento que estamos vivendo recomende um impeachment. É a minha opinião pessoal. Cabe aos deputados, judiciário, à imprensa comentar, mas eu tenho o direito de ter a minha opinião. Acho que hoje o impeachment é uma invenção que está prevista na constituição, mas é traumática. Eu acho que não é caso de impeachment.

Schettini: Quem são os nomes da oposição para as municipais de Florianópolis?

Amin: Os nomes são vários. Nomes que podem representar o enfrentamento a candidatura do atual prefeito. Temos nomes consagrados, como é o caso da Angela, e uma série de novos candidatos que tem se apresentado como o Orlando Silva, do Novo, o Pedrão, que era pré-candidato do nosso partido, tomou outro rumo, mas é um nome. O Elson que deve ser candidato novamente. Não quero excluir outros nomes, é da democracia que haja candidatos de oposição. Seria uma pena se não houvessem candidatos competitivos, até para debater o que está sendo feito em excesso ou em falta, para debater os rumos de Florianópolis.


Schettini: Com sua participação, Jorginho Mello e Dário Berger estão tricotando um projeto comum para a Capital?

Amin: Olha, de tricô eu não entendo muito, mas de bordado lá em casa tem gente que entende. Eu observo com muito carinho, o trabalho das rendeiras da ilha. Então, isso não falta aqui não. Às vezes tricota em parceria. Mas, certamente, todos pensam perifericamente neste momento.


Schettini: Qual é o futuro das eleições municipais com a pandemia?

Amin: Acho que o Congresso deu uma resposta satisfatória. Respeita o mandato, a periodicidade do voto, não tem prorrogação, mas teve a grandeza de aprovar o adiamento, com ampla maioria, obedecendo os ditames da pandemia interpretados por quem entende de saúde. Nós não inventamos nada, nem o TSE. Ouvimos especialistas e nos curvamos às recomendações. Acho que o povo entendeu. Concordar ou não concordar é outra coisa. O Congresso acatou, com a humildade devida, a sugestão dominante trazida pela ciência que nós dispomos. É pouco, claro que é pouco, se tivéssemos a vacina seria diferente. Teremos uma eleição totalmente diferente, em que o eleitor será chamado a prestar a atenção num dia e tomar a decisão. E, se possível, comparecer.

Schettini: Que mundo sai depois disso tudo?

Amin: O novo normal. Teremos um novo normal nas relações. A reunião remota veio para ficar, mas não para substituir a presencial. Eu divirjo com quem acha que é bom para o Brasil votarmos as coisas remotamente. O trabalho do Legislativo, Executivo, Judiciário, do cidadão, operário, do professor, será sempre presencial em primeiro lugar. Agora, nós dinamizamos a educação à distância e a teleconferência, nós não tenhamos dúvida. Eu lembro que em 1999, nós lançamos um programa de ensino à distância que permitiu a graduação de todos os professores, inclusive municipais, de Santa Catarina, desenvolvido em parceria com a UFSC. Foi um sucesso, criamos salas de monitoramento, quando o município fosse pequeno, poderia ser uma sala com um monitor para dois municípios, mas quando a cidade fosse grande, seria maior. O importante era oferecer aos professores, que não eram formados, mas que tinham experiência do convívio com os alunos, para fazer faculdade de Pedagogia. Foi um grande lance que nasceu no século passado e ajudou a qualificar Santa Catarina. Acho que o mundo vai ganhar em solidariedade e humildade.


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