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Entrevista | Deputado Bruno Souza diz que impeachment tramita na falta de diálogo e incompetência geral do Governo Moisés

Por: Marcos Schettini
04/08/2020 15:56
Arquivo/Lê Notícias

Eleito em uma sigla com digitais socialistas, o deputado estadual Bruno Souza integra o Novo desde novembro de 2019, partido no qual tem maiores ligações com suas bandeiras liberais. Relator da CPI da Ponte, ganhou notoriedade em Santa Catarina ao expor 40 anos gastos públicos na Hercílio Luz.

Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Marcos Schettini, o parlamentar falou do processo de impeachment de Carlos Moisés e Daniela Reinehr que tramita na Assembleia Legislativa, comentou sobre os projetos do Novo em Florianópolis e afirmou que seu mandato é dedicado em extinguir burocracias desnecessárias aos catarinenses. Confira:


Marcos Schettini: O Sr. faz qual avaliação do seu mandato até este momento?

Bruno Souza: Positiva. Em pouco mais de um ano de mandato, já conseguimos avançar em várias pautas importantes, ligadas às bandeiras que defendi em campanha: desburocratização, combate ao aumento de impostos e defesa da liberdade: propus o selo artesanal (que vai facilitar a vida do produtor artesanal), a revisão do código da vigilância sanitária e a eliminação de mais de 300 alvarás, a regularização da educação domiciliar (o que vai acabar com a perseguição às famílias) e a defesa de uma previdência estadual mais sustentável. Ainda, fui relator da CPI da Ponte Hercílio Luz, maior da história de Santa Catarina, que trouxe luz aos anos de descaso do governo com o nosso cartão postal. E com o projeto #FiscalizaSC, visitei e denunciei diversas obras paradas e abandonadas ao longo do Estado, conseguindo bons resultados em várias delas, como a homologação do aeroporto de Correia Pinto.


Schettini: A CPI da Ponte é mais cruel que a CPI dos Respiradores?

Bruno Souza: Os dois casos são muito cruéis para o pagador de impostos catarinense. São exemplos de descaso e corrupção, coisa que, infelizmente, se tornou regra nos assuntos públicos. Na CPI da Ponte, tivemos muito cuidado para passar toda a história a limpo (desde 1980 até os dias atuais) e não deixar nada encoberto - é importante que a verdade venha à tona e os responsáveis sejam encontrados. O resultado foi um trabalho técnico, com mais de 20 mil páginas de documentos analisados, dezenas de contratos passados a limpo e um relatório de mais de 1800 páginas que foi entregue ao Ministério Público.


Schettini: O Novo não é um partido intransigente e antidemocrático quando seleciona filiados?

Bruno Souza: De forma alguma. Os únicos requisitos para ser filiado ao Novo são ficha limpa e alinhamento aos valores do partido. De fato, somos intransigentes neste ponto: não aceitamos ficha suja e nem aqueles que querem aumentar a burocracia e o peso do Estado na vida das pessoas. Temos filiados de todos os perfis e em todo o Brasil, pessoas que acreditam no projeto e se dispõem a ajudar.


Schettini: Como o Sr. observa a possibilidade do impeachment de Moisés e Daniela Reinehr?

Bruno Souza: Entendo que há uma possibilidade bem grande por dois motivos. Primeiro: há base para apontar os crimes de responsabilidade cometidos pelo governo, desde o caso do aumento do salário dos procuradores até as ingerências e suspeitas de corrupção na pandemia. Segundo: a falta de diálogo e incompetência geral do Governo como um todo, sendo completamente apático aos problemas que Santa Catarina enfrenta.

Desde que os pedidos chegaram venho os estudando. Meu voto será técnico, sem ignorar os problemas causados pela Casa d’Agronômica e que nos levaram à uma crise política.

Schettini: O Sr. gosta muito de cobrar atitudes. Quais são as suas?

Bruno Souza: Nunca cobro nenhuma atitude que eu mesmo não faria: sua casa precisa estar arrumada para poder dar opinião do lado de fora. É importante dar o exemplo. No trabalho como parlamentar, valorizo a coerência e a técnica: meu posicionamento não muda conforme o deputado. O que é inconstitucional é inconstitucional e o que é positivo e negativo para o Estado não muda conforme o proponente. Já apoiei projetos de deputados com os quais possuo profundas diferenças ideológicas. Também, reduzi os gastos com gabinete e mantive o trabalho nos pontos facultativos. Preciso aplicar o que defendo.


Schettini: O Novo vai apoiar quem no processo eleitoral em Florianópolis?

Bruno Souza: O Novo vai ter candidatos em Florianópolis. O professor Orlando Silva e o Dr. Luiz Barbosa são nossos postulantes para a prefeitura. Também temos postulantes muito bons para a Câmara. Fico feliz de ver o Novo crescendo e fazendo a diferença também na minha cidade natal.


Schettini: Por que seu partido tem quase zero de participação das mulheres?

Bruno Souza: Outros partidos também enfrentam esse problema, que não é exclusivo do Novo. Mas no Novo, nenhuma mulher sai como candidata apenas para “cumprir a cota”, como é comum em eleições. Queremos que nossas mulheres, de fato, possam ser eleitas. Em pesquisa com os dados de 2018, o Novo apareceu como o único partido sem “candidatas laranja”, ou seja, candidatas que não fizeram campanha, mas que entraram para cumprir a regra eleitoral. O Novo também elegeu mulheres de muita qualidade, como a vereadora Janaína Lima em São Paulo e a deputada federal Adriana Ventura. A participação feminina deve aumentar nos próximos anos, em parte graças a esses bons exemplos.


Schettini: Quantos prefeitos, vices e vereadores o Novo vai eleger em 2020?

Bruno Souza: Nas eleições de 2016, quando estava começando e concorreu em apenas 5 cidades, o Novo surpreendeu e conseguiu eleger 4 vereadores. Em 2018, fizemos uma bancada federal com 8 deputados e o Governo de Minas Gerais. Acredito que vamos surpreender muita gente esse ano mais uma vez.

Schettini: Quando o Sr. entrou na Alesc chegou chutando tudo. Por que amoleceu?

Bruno Souza: Não acredito que essa seja a opinião de quem me acompanha. A primeira ação que tive na Alesc foi abrir mão de todos privilégios. Logo após, comecei a coletar assinaturas para a CPI da Ponte Hercílio Luz e formar a equipe de trabalho. Isso, ao mesmo tempo em que finalizei e protocolei projetos complexos para desburocratizar nosso Estado e facilitar a abertura de empresas e negócios.

Claro, se analisa a atuação de um parlamentar pelo número de projetos propostas, eu nunca serei o mais atuante: simplesmente não é meu foco. Prefiro muito mais ser o deputado que mais revogou leis do que o que mais aprovou projetos. Este é meu foco na produção legislativa: extinguir burocracias desnecessárias.

Ainda, ano passado iniciei o projeto #FiscalizaSC, onde percorro toda a Santa Catarina denunciando descasos com o dinheiro do pagador de impostos, uma atuação acentuada ainda mais pela pandemia. Resultado não falta - o Executivo tem sido obrigado a dar respostas às minhas cobranças, os órgãos de controle abriram processos de investigação e obras abandonadas foram entregues depois das minhas denúncias. Além disto, o projeto cumpre com uma função essencial: informar a população e não deixar esse tipo de descaso ir para debaixo do tapete.

Neste primeiro semestre tenho também me dedicado defender uma reforma melhor que a “reforminha” da previdência enviada pelo Executivo. Hoje, temos um enorme buraco na previdência, que é nossa maior despesa. Somente o déficit previdenciário (a diferença entre receitas e despesas) é maior do que o gasto do Estado com saúde, segurança e educação. Segundo o secretário da Fazenda, estamos gastando esse ano 18% com saúde para atender 7 milhões de catarinenses e com previdência, 27%. Ainda, o servidor em SC se aposenta em média, com 54 anos. Isso não é nem justo e nem sustentável do ponto de vista fiscal.


Gabinete 009 da Alesc, do deputado Bruno Souza, impressiona pela equipe de jovens servidores (Foto: Arquivo/Lê Notícias)

Schettini: Dentro do seu gabinete a média de idade é de 20 anos. A juventude representa o que na democracia?

Bruno Souza: Meu gabinete é jovem, de fato. Sobre juventude, na realidade, não seleciono ninguém por conta da idade. Procuro pessoas técnicas, que tenham vontade de trabalhar e acreditem nas ideias da liberdade. Se você se encaixa neste perfil e defende uma Santa Catarina mais livre, você tem o perfil. A juventude na democracia é algo que me deixa esperançoso pois, quanto mais atenta e envolvida com a política uma sociedade está, mais olhos temos para políticos corruptos ou incompetentes. Como diria Ayn Rand: “Você pode ignorar a realidade, mas não pode ignorar as consequências de ignorar a realidade.”

Mas novamente, ressalto - idade não é e não deve ser um fator excludente. Não me interessa a idade, sexo, religião ou raça da pessoa - se você tem ideias boas e que se alinham com os princípios da liberdade, vou apoiar. De nada adianta ser jovem com ideias velhas!


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