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Memórias do Campo | Recordações antigas e pessoas ilustres

Por: Luiz Dalla Libera
07/08/2020 11:31 - Atualizado em 03/09/2021 10:40

Li na página 04 no geral desse jornal, na edição do dia 25 de junho de 2020, edição nº 1.537, sobre os 83 anos de jornalista João Lamarque de Almeida, contando um trecho das suas belas histórias. Faz cinco anos que leio este jornal, sempre leio as suas colunas, cujo nome é Li, Vi e Ouvi.

A princípio não sabia quem ele era e onde morava, mas soube que é um membro da família Schettini, deste Jornal Lê NOTÍCIAS, talvez seja esta razão pela qual a família Schettini tem atuação no jornalismo político, com filhos dedicados e o avô no mesmo ramo. João Lamarque criou um jornal, A Voz do Povo, de Frederico Westphalen, com certeza enfrentou um grande concorrente, o Jornal Correio Riograndense.

Talvez aquele nome era porque os assinantes recebiam exemplares por correio. O Jornal Correio Riograndense foi o primeiro jornal que comecei a ler, eu tinha sete anos. Aquele jornal tinha folhas grandes, um pouco maiores que as do Lê NOTÍCIAS. À época, eu ainda tinha dificuldade para ler, mas me recordo que a primeira notícia que consegui ler tinha letras bem legíveis, sobre a morte de um bispo, que devia ser de Caxias do Sul (RS).

Dom José Barréa era parente da família Barréa, de Cordilheira Alta. Naquela época, o principal veículo de comunicação era o jornal. Havia mais assinantes de jornais do que ouvintes nas rádios. Naquele tempo, anunciava-se muito as mortes, não como nota de falecimento e convite de enterro, mas para os parentes e amigos de longe, para que ficassem sabendo da morte do ente querido. O meu pai foi assinante por mais de trinta anos do jornal Correio Riograndense, no qual a sua morte também foi anunciada.

Como João Lamarque contou um pouco da história do progressista município de Frederico Westphalen, deve ter até chegado a conhecer o primeiro prefeito, acredito. Ouvi falar na década de 1950, o nome antes de ser Frederico Westphalen, era Barril. Aquele apelido tinha no jornal Correio Riograndense. Acho que era assim, porque em tempos de falta de água, puxava-se água nas costas com barris, com dois ou quatro homens. Os barris eram vasilhas para vinho e cachaça em forma de pipas, medindo 100 litros. Eu e minha família também puxamos água em tempos de seca, desse meio, com bordalesa. Era uma forma de barril com 200 litros e o transporte era feito com carroça.

Na mesma página do , li a notícia sobre um conterrâneo e isso me emocionou muito. O falecimento do alfaiate xaxinense Ezílio Marocco. Eu conheci o pai dele, apesar de que eles moravam em Golfo São Roque e nós na linha Limeira, na década de 1950. O meu pai e o pai dele eram proprietários de terras antigas, em Irati. Na época, aquele espaço pertencia a São Lourenço do Oeste. Para o pagamento de impostos, era só um que ia e pagava para os dois e se dividia a despesa da viagem.

Seu Ezílio Marocco era conhecido em Xaxim há muitos anos. Quando eu tinha oito anos, o ex-patrão dele, Angelo Pelegrim, fez um traje para mim, estilo “fatiota”, o qual eu usei na minha primeira eucaristia. Anos mais tarde, continuei como seu cliente e ele fez meu traje de casamento. Após Angelo Pelegrim ter deixado o ramo de alfaiate, passei a ser cliente direto da Loja Marocco. As calças eram sempre fabricadas nas suas mãos, nem era preciso tirar a medida, pois estava anotado no caderno. Ultimamente, as calças que se vendem não iguais às de antigamente, que em pleno verão, só íamos à missa com casaco e as mulheres só iam de vestido com mangas. O vestuário era muito sério e hoje há muita liberdade.


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