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Entrevista | Disputa interna na Fecam expõe racha que busca afastar Orildo Severgnini da presidência

Por: Marcos Schettini
10/08/2020 21:49 - Atualizado em 10/08/2020 21:50
Prefeitura de Major Vieira

Na presidência da Federação Catarinense de Municípios há três meses, Orildo Severgnini tem tido uma dura missão de sua vida pública. Atravessando a maior crise sanitária da história, os prefeitos chegam ao fim do mandato buscando conciliar o combate ao coronavírus com os investimentos necessários mesmo com profundos impactos econômicos.

Prefeito de Major Vieira, no Norte do Estado, pelo MDB, Severgnini sofreu uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) no final do mês passado e passou a ser questionado dentro da entidade, mas ele alega o princípio da inocência e diz que será absolvido das acusações.

Em entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini, o presidente da Fecam falou dos desafios das prefeituras catarinenses, expôs um racha interno na entidade e se defendeu das acusações após as ações do Gaeco em Major Vieira. Confira:


Marcos Schettini: O senhor assumiu a presidência da Fecam em 4 de junho quando os prefeitos catarinenses viviam os piores números do coronavírus em SC. Como tem feito para coordenar todo um trabalho de interlocução dos municípios com governos, poderes e sociedade?

Orildo Severgnini: Eu e os demais prefeitos catarinenses estamos vivendo o tempo político mais complicado da história catarinense. Estamos fazendo a gestão da crise, investindo recursos, auxiliando nas articulações regionais, ajudando a comprar e instalar equipamentos, cobrando e ajudando o governador Carlos Moisés. A tarefa mais difícil é a dos prefeitos, pois o hospital, a ambulância, o cemitério e as famílias que sofrem moram em nossas cidades. Os prefeitos nunca enfrentaram algo tão difícil. Estamos enfrentando unidos, aguentando as pressões e vamos vencer. É preciso muito trabalho, o que vai continuar sendo exigido da Fecam e de todos.

Schettini: Como o senhor se pronuncia sobre a investigação que teve como um dos alvos o município de Major Vieira, onde o senhor é prefeito?

Orildo Severgnini: Ainda estou aguardando e tentando entender todos os fatos. Estou tranquilo, apesar da surpresa e do sofrimento que essa situação que vem lá do ano de 2015 causou a mim e a minha família. Entendo que as autoridades cumprem o seu dever e ao tempo que vierem os fatos, eu me defenderei com tranquilidade e lucidez. Nós prefeitos já estamos acostumados com situações como estas. A única coisa que desejo é o direito sagrado de me defender. Não aceito condenações prévias. Sou um cidadão brasileiro que tem direito ao processo e a defesa. É o que nos resta como gestores. Vou sair de cabeça erguida e inocente dessa história.

Schettini: Como o prefeito Orildo Servegnini recebe o pedido de afastamento apresentado por parte da diretoria da Fecam?

Orildo Severgnini: Eu fiquei arrasado. Foi um dos mais duros golpes em mais de trinta anos de vida pública. Já vi prefeitos sendo execrados publicamente e depois absolvidos. Já vi carreira política ser destruída injustamente. Mas quando acontece com a gente é muito difícil. Eu só posso dizer aos meus colegas que quero me defender e que tenho direito da presunção de inocência. Não posso aceitar esse precedente tão perigoso de condenar sem julgar antes. De penalizar sem ouvir, sem fazer apuração. Isso faz milhares de prefeitos sofrerem e não posso, como prefeito, aceitar esse precedente perigoso que armamos contra nós mesmos.


Schettini: Há uma disputa política em andamento na Fecam?

Orildo Severgnini: Sim. Infelizmente estamos assistindo a uma tentativa de desmonte da Federação. Lamentavelmente, desde janeiro, temos um pequeno grupo que quer se apropriar da Fecam e do seu grande trabalho. Eu mesmo demorei a entender isso. Quando me posicionei contra esse grupo comecei a sofrer duras retaliações. Desde o início do ano há debates que não estão preocupados com o intenso trabalho mantido por nossa equipe. Só posso dizer que um mesmo grupo tenta desfazer trabalho dos presidentes anteriores e questionou os acordos de revezamento partidário na direção da Fecam. São os mesmos que pedem a demissão de técnicos bem qualificados que fazem trabalho e, para o meu espanto, pediram nos últimos dias a paralisação de todos os serviços da Fecam. No meio da pior fase da crise, fui pressionado para afastar o diretor-executivo e me recusei por não encontrar motivos. Agora veio o meu pedido de afastamento. Estamos sofrendo instabilidade política no momento em que precisamos da Federação para atuar fortemente junto aos municípios. Sei que a Fecam é maior. Vamos sair dessa fortalecidos. A Fecam pertence aos municípios. Vou lutar com todas as minhas forças para que essa partidarização seja derrotada. Somos uma Federação suprapartidária. Vamos combater esses interesses individuais. Tenho ouvido nossas bases com forte apelo para que a entidade cuide da sua tarefa maior que é auxiliar os municípios.

Schettini: Quais os desafios que o presidente da Fecam enxerga frente ao comando da entidade e no restante do ano?

Orildo Severgnini: Nós temos que continuar enfrentando a pandemia que infelizmente se estenderá mais do que previmos. Vamos entrar em tempo de eleições e as coisas naturalmente ficarão ainda mais desafiantes. A Fecam precisa estar junto aos municípios e orientar sobre as regras eleitorais e proteger os gestores. Depois da eleição vem o encerramento de mandatos e uma grande tarefa complementar. Já precisamos pensar como dar suporte aos novos mandatários nas novas gestões que iniciam em primeiro de janeiro de 2021. Muito me preocupa a administração da educação nos municípios, as dificuldades econômicas que enfrentaremos, a queda da receita. Lembro que precisamos discutir e encerrar o debate do Fundeb, defender os municípios na questão da Reforma Tributária. A Fecam vai ser fortemente exigida e minha tarefa é cuidar para que cuidemos dos nossos municípios.

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