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Entrevista | Eduardo Pinho Moreira aponta erros gravíssimos cometidos pelo governador Moisés

Por: Marcos Schettini
01/10/2020 15:44
Karina Ferreira/Agência AL

Homem responsável por uma transição republicana ao então governador eleito Carlos Moisés da Silva após o segundo turno em 2018, Eduardo Pinho Moreira deu todas as ferramentas necessárias para que o novo chefe do Executivo iniciasse o governo com plena noção da realidade de Santa Catarina.

Líder reconhecido dentro do MDB, Pinho Moreira concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Schettini e falou do momento no qual os catarinenses enfrenta, numa profunda crise política com diversas dificuldades econômicas, também agravadas após o início da pandemia.

O ex-governador também comentou sobre o futuro do processo de impeachment, da lucidez de Jorge Bornhausen e explicou os dois decretos assinados nos últimos dias do mandato que geraram aumento de R$ 2 bilhões na arrecadação do Estado. Confira:


Marcos Schettini: Por que SC chegou a este cenário de descontrole geral?

Eduardo Pinho Moreira: É impressionante como a história se repete, e aqueles que não a observam cometem erros em maior ou menor escala. Foi o que aconteceu em SC: o governador achou (tinha certeza) que havia sido eleito por seus méritos apenas e isso lhe daria poderes imperiais. Começou com isolamento e apenas abrindo espaço para subserviência, e nomeando pessoas mal-intencionadas ou inexperientes.


Schettini: Carlos Moisés é a antítese da política ou a política da antítese?

Pinho Moreira: As duas. Foram muitos erros. Disputas internas no governo por poder e aproximação com o mandatário, insistir que representa a tal da “nova política”, desdém com parlamentares e autoridades dos outros poderes, afastamento do setor produtivo, horror da imprensa livre que o criticava e confiança excessiva nas suas redes sociais. Não poderia dar certo.


Schettini: Onde e como o eleitor se percebe decepcionado e apático com a queda daquele que escolheu?

Pinho Moreira: Foi um somatório de fatos, conforme citei, aliado ao distanciamento da sociedade. Atos demagógicos eram superlativados como decisões importantes (cafezinho, aviões, etc..), mas que por si só não se sustentam, e num Estado em que os governadores sempre foram muito presentes nas regiões, chamou a atenção o pouco apetite do governador para esse convívio absolutamente necessário.


Schettini: O Sr. deixou R$ 2 bilhões de horizonte de entrada em arrecadação na sua saída em 2018. O que Carlos Moisés não percebeu?

Pinho Moreira: Fiz uma transição muita aberta e transparente. Quando Moisés convidou o Paulo Eli e Michele Roncaglio para a Fazenda, achei responsável a escolha, afinal o planejamento iniciado em 2018 iria continuar e teríamos um 2019 muito melhor. Decisões tomadas ao longo de 2018 e dois decretos que assinei nos últimos dois dias úteis permitiram um aumento de R$ 2 bilhões na receita do Estado em 2019 e isso deu estabilidade e superávit nas contas públicas. Ele não percebeu ou não reconheceu ações dos anteriores. Nosso Estado é referência no Brasil há décadas por sua gente, inclusive políticos e governantes.


Schettini: Como o Sr. vê a direção do Tribunal Especial de Julgamento?

Pinho Moreira: A condução do desembargador Ricardo Roesler dá tranquilidade e certeza de que a justiça prevalecerá.


Schettini: A apatia da sociedade e entidades representativas em relação ao impeachment diz o quê?

Pinho Moreira: Em junho de 2013, a sociedade brasileira foi às ruas de forma silenciosa num protesto que demonstrava grande insatisfação com tudo, principalmente com a classe política, e pedindo mudanças. Era como uma represa que apresenta uma rachadura, que culminou com a grande avalanche político eleitoral de 2018. Mas como não há varinha de condão, as pessoas foram se decepcionando: caso Rio de Janeiro, Santa Catarina, Distrito Federal, etc... O povo está apático e silencioso. As urnas de 15 de novembro vão mostrar o que significa esse momento.

Schettini: O ex-governador Jorge Bornhausen é um exemplo de ser escutado pela experiência política?

Pinho Moreira: Impressiona a lucidez, nível de informação e atualização, além de espírito público do ex-governador Jorge Bornhausen. Sempre disposto a contribuir com seus interlocutores. Respeitado em todo o Brasil, claro que poderia e pode contribuir muito com Santa Catarina, algo que ele nunca se furtou quando procurado.


Schettini: Os chamados cabelos brancos são referência para abominar a arrogância destes tempos?

Pinho Moreira: Conto essa história porque é verdadeira. Em Londres, no bunker onde Churchill montou seu gabinete de guerra para enfrentar Hitler e o nazismo, tem uma foto com esse time: todos tinham cabelos brancos, mostrando que nas crises, a experiência vivida é fundamental para encontrar os caminhos da vitória.


Schettini: Para onde vai Eduardo Pinho Moreira?

Pinho Moreira: Estou aguardando a pandemia diminuir mais seu ritmo, mas por vídeo, WhatsApp e telefone, mantenho contato permanente com meus companheiros e amigos.

Algumas reuniões presenciais e, claro, militando e opinando para quem solicita. O futuro? Aguardemos!


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