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Entrevista | Ari Neumann avalia cenário catarinense e faz balanço da presidência do Crea-SC

Por: Marcos Schettini
21/10/2020 10:33 - Atualizado em 21/10/2020 10:37
CREA/SC

Com longa carreira e envolvimento com o desenvolvimento agropecuário de Santa Catarina, o engenheiro agrônomo Ari Neumann chega ao final de seu mandato como presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (Crea-SC) com um importante legado de trabalho dentro da entidade. Com vasto conhecimento pelos trabalhos desenvolvidos na Epagri, Associação Catarinense de Criadores de Suínos e Secretaria de Estado da Agricultura e Pesca, Neumann imprimiu um diferente estilo na presidência, modernizando os sistemas, capacitando os profissionais e realizando organização estrutural.

Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Marcos Schettini, o presidente do Crea-SC fez um balanço de sua gestão, disse os motivos pelo qual optou por não disputar a reeleição e enalteceu o trabalho realizado pelo Conselho em Santa Catarina. Também falou sobre Carlos Moisés, Jair Bolsonaro e das modernizações necessárias durante a pandemia de coronavírus. Confira:


Marcos Schettini: Qual é a gestão que o Sr. imprimiu na sua presidência do Crea?

Ari Neumann: Nossa gestão foi conduzida principalmente pela coerência e bom senso nas tomadas de decisões, prezando pelo diálogo democrático e pelo consenso entre os nossos representantes. Assim criamos e mantivemos as condições necessárias para realizar com excelência todas as atividades fins, sobretudo a fiscalização do exercício profissional com qualidade e seguindo os preceitos de racionalidade e legalidade. Mantivemos o equilíbrio financeiro da instituição apesar dos desafios como a saída dos técnicos agrícolas e industriais do Sistema, representando cerca de 10% dos profissionais registrados. Recebemos o Conselho, com R$ 7 milhões em caixa e neste momento estamos com de R$ 30 milhões, mostrando que é possível fazer uma gestão competente, responsável e de qualidade, diminuindo excessos e cortando gastos desnecessários. Efetivamos e concluímos a reforma da sede em formato BIM com a reestruturação dos ambientes e de toda a rede lógica adotando conceitos de sustentabilidade ambiental, incluindo a instalação de painéis fotovoltaicos, visando aprimorar o atendimento e o bem-estar dos profissionais, colaboradores e sociedade.

Estamos enfrentando uma pandemia, cujo contexto de isolamento restringiu as atividades em todo país em inúmeras áreas, inclusive nas profissões do Sistema. Desde o início priorizamos os investimentos nos equipamentos e sistemas de tecnologia da informação, com destaque para o desenvolvimento do SICWEB - Sistema de Gestão de processos. A pandemia nos trouxe a necessidade e a possibilidade do teletrabalho. Tivemos que agilizar a digitalização de todos os processos internos e também de fiscalização, algo que vinha se estendendo ao longo dos anos e estamos realizando e concluindo em nossa gestão. Enfim, ao longo destes três anos prezamos por um CREA-SC eficiente, ágil e dinâmico, prestando serviços de qualidade e também atuante e envolvido nos temas relevantes da sociedade, como a mobilidade urbana, a sustentabilidade ambiental, a fiscalização de obras públicas, a acessibilidade, entre outros.

Schettini: O que mudou e o que precisa mudar?

Neumann: Além do superávit financeiro, criamos condições tecnológicas para que as próximas gestões consigam atender as demandas futuras dos profissionais e da sociedade. Estamos realizando um concurso público para a contratação de mais profissionais da área de tecnologia da informação, que será concluído até o final do presente ano, visando à continuidade dos procedimentos já iniciados. Esta pandemia nos trouxe a necessidade de repensar as formas de realizar as atividades e os procedimentos. Isso foi introduzido não só aos colaboradores, mas também aos nossos conselheiros e inspetores que prestam serviços honoríficos. O próximo desafio é regulamentar o home-office com condições de aferir e acompanhar os resultados com qualidade e comprometimento. A adoção do voto eletrônico e digital nas eleições do sistema é urgente e não pode ser mais adiada, sendo o CREA-SC um conselho da área tecnológica. O exame de proficiência também é prioritário, visando manter a qualidade da formação profissional, tendo em vista o grande número de escolas e cursos das áreas da engenharia, agronomia e geociências em funcionamento no país. Todas estas demandas já foram aprovadas pelos profissionais durante os Congressos Estadual e Nacional dos Profissionais (CEP e CNP) e que precisam ser colocadas em prática.


Schettini: Onde é que o Crea está perto do cidadão?

Neumann: O CREA-SC está presente de inúmeras formas na sociedade e na vida dos catarinenses. Em cada atividade, projeto ou serviço desenvolvido pelos profissionais, o Conselho se faz presente. Nossa maior contribuição é por meio da fiscalização do exercício profissional, garantindo a segurança da sociedade e a melhoria da qualidade de vida das pessoas. O CREA-SC também é representado nos conselhos e órgãos municipais, estaduais e nacionais, contribuindo com ações e projetos nas áreas de habitação, planejamento, saneamento, mobilidade urbana, entre outros. Além disso, mantemos parcerias e acordos de cooperação importantes com órgãos como Epagri, Cidasc, IMA e MPSC nas áreas de fiscalização de agrotóxicos, acessibilidade, - e obras públicas, rastreabilidade de alimentos, entre outros. Em parceria com as entidades de classe, desenvolvemos ações e projetos nas comunidades. Da mesma forma, o Programa CREAjr-SC leva o Conselho para dentro das instituições de ensino e traz os acadêmicos para dentro do CREA-SC.


Schettini: A eleição deste ano dentro da instituição apontou o quê?

Neumann: Santa Catarina é um Estado que sempre se destaca nacionalmente pela participação efetiva dos profissionais no processo eleitoral do Sistema. Ainda assim, é um percentual baixo, sendo o voto não obrigatório. Este ano, tivemos mais de 12% dos profissionais aptos votando, enquanto que em alguns Estados esse percentual não chegou a 5%. Para o cargo de presidente do CREA-SC, tivemos uma disputa acirrada entre os três primeiros candidatos, com uma diferença de 8 votos, entre o segundo e terceiro colocado e uma diferença de 159 votos entre o primeiro e o segundo. Isso mostra que os profissionais estão abertos a inúmeros posicionamentos. Acredito que as reivindicações e os projetos divulgados, devem ser considerados pela próxima gestão. Esta mesma disputa e proporcionalidade vai se refletir internamente dentro do Plenário do Conselho entre os 94 conselheiros, que são os representantes das instituições de ensino e entidades de classe do Estado. Eles estarão defendendo e reivindicando os posicionamentos propostos durante a campanha eleitoral. Isso vale também para o Conselho Federal, o Confea, que conforme estabelece a Lei nº 5.194/66, é responsável pela elaboração e aprovação de resoluções que constituem a legislação do nosso sistema profissional.


Schettini: O governador Carlos Moisés foi contra os defensivos agrícolas. Ele está certo ou errado?

Neumann: Acredito que não é uma questão de certo ou errado. Existem decisões tomadas que trazem consequências. A questão da tributação diferenciada para os defensivos agrícolas em Santa Catarina, com taxa maior que a de outros estados, prejudica a competição do agronegócio catarinense. Os outros estados não têm a mesma tributação e desta forma terão produtos com valores menores. A produção, de maneira geral, prevê o uso de insumos e os defensivos são fundamentais para obtermos esta produção. Não adianta termos uma medida isolada, precisamos de consenso. O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) é o órgão que pode contribuir com a adoção de políticas e critérios igualitários para todo o país.


Schettini: Como o Sr. observa o pedido de cassação do mandato dele e da vice?

Neumann: Este é um assunto delicado que devemos analisar com muita responsabilidade. Conhecemos as alegações através do noticiário. Quem vai analisar e julgar será uma Comissão Mista do poder legislativo e judiciário estadual. O CREA-SC não tem competência e as informações para entrar no mérito desta questão, devendo se manter neutro. De qualquer forma, é uma situação de instabilidade política que prejudica as atividades do Governo do Estado.


Schettini: Ele não lembrou de ninguém na inauguração da Ponte Hercílio Luz. Muito menos do Crea. Por quê?

Neumann: O CREA-SC integrou a Comissão de Acompanhamento das Obras de Restauração e Revitalização da Ponte Hercílio Luz, criada pelo Decreto Estadual nº 642/2016, representado pelo presidente e pelo superintendente, que participaram ativamente deste processo. O CREA-SC sempre se posicionou favorável à revitalização, não só pelo patrimônio cultural e pela obra de engenharia que a Ponte Hercílio Luz representa, como também pela sua importância para contribuir com a melhoria da mobilidade urbana da capital. De tal forma que participamos de todas as reuniões que antecederam a inauguração e estávamos cientes e inseridos neste processo, inclusive no evento.

Schettini: Por que o Sr. não foi para reeleição?

Neumann: As decisões dependem de momentos e contextos. Achei prudente não concorrer à reeleição. O cargo de presidente do CREA-SC é um cargo de grande importância dentro do Sistema Profissional e também para a sociedade, exige muita responsabilidade. Somos gestores de um orçamento considerável, que gira em torno de R$ 60 milhões anual. Além disso, é um cargo honorífico, sem remuneração. Nesta gestão enfrentamos grandes desafios, tais como a saída dos técnicos agrícolas e industriais do Sistema. Mesmo assim, mantivemos o equilíbrio financeiro na gestão. Enfrentamos uma pandemia que nos trouxe demandas específicas e tomadas de decisões rápidas e estratégicas. Também tivemos um desgaste referente ao cumprimento de uma sentença judicial envolvendo as atribuições profissionais na área da engenharia elétrica o que gerou conflitos internos entre algumas modalidades profissionais. Foi uma situação herdada de gestões anteriores, que tivemos que administrar e mediar durante esta gestão e conseguimos, de forma ética e transparente, manter a harmonia no Conselho. Foram situações que acabaram prejudicando uma possível articulação para uma continuidade de mandato. Mesmo não sendo obrigatório concorrer à reeleição, pessoalmente defendo posição contrária à possibilidade de haver duas gestões consecutivas.

Schettini: Como o Sr. vê o presidente Jair Bolsonaro, as eleições municipais e os engenheiros nisso tudo?

Neumann: Analisando do ponto de vista das áreas das profissões do Sistema Confea/Crea percebemos que o presidente Jair Bolsonaro está realizando um governo pautado no conhecimento técnico, buscando um equilíbrio entre as ações políticas e técnicas, valorizando nos cargos da área técnica os profissionais formados e habilitados para as respectivas funções. Isto é um aspecto positivo para a engenharia, agronomia e geociências, sobretudo para os profissionais que atuam nestas áreas. O combate à corrupção e a economia nos trilhos proporcionarão as condições para todos os profissionais, especialmente aos do nosso sistema profissional, darem a sua contribuição para o desenvolvimento nacional.

O CREA-SC reivindicou este mesmo posicionamento junto ao Governo do Estado, através de ofício e diálogo no início da gestão, solicitando que os cargos das áreas técnicas fossem ocupados por profissionais habilitados, situação que, infelizmente, não se evidenciou na intensidade desejada. O CREA-SC é uma Autarquia Pública Federal, cujo objetivo principal é fiscalização do exercício profissional. Porém, consideramos importante a participação dos profissionais nas eleições municipais, visando ocupar também espaços políticos, no sentido de contribuir com a sociedade, sobretudo nas áreas que demandam tal conhecimento. Nossas profissões estão inseridas em inúmeros processos, desde a extração de recursos naturais, passando pela indústria, construção civil, infraestrutura das cidades, em setores como saneamento, água e energia, transporte público, mobilidade, habitação, sustentabilidade ambiental, além do agronegócio com a produção e logística de alimentos, entre outros.

Em tempo, quando falamos em agronegócio, produção, transformação e logística no setor de alimentos, desejo manifestar a minha homenagem ao colega e amigo engenheiro agrônomo Mário Lanznaster, falecido no domingo, pois ele foi e sempre será um exemplo de profissionalismo, referência, competência e comprometimento no desenvolvimento do cooperativismo catarinense e brasileiro, com reflexos muito positivos no desenvolvimento social e econômico de uma grande região do Sul do nosso país. Em reconhecimento a este trabalho profissional, em 2011, o CREA-SC lhe concedeu a Medalha do Mérito, honraria que o Conselho concede anualmente a profissionais selecionados pelas Entidades de Classe, Câmaras Especializadas e com a aprovação final de seu Plenário.

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